sexta-feira, 21 de março de 2014

50 ANOS DEPOIS DO GOLPE MILITAR, GRUPO TENTA REVIVER A “MARCHA DA FAMÍLIA” EM SP, RJ E PR



 
A 1ª "Marcha da Família" é considerada marco de apoio ao obscuro Regime Militar de 64, que deixou vários mortos e desaparecidos políticos

POR RODRIGO RODRIGUES

Prestes a completar 50 anos do sangrento Golpe Militar que vitimou mais de 362 brasileiros mortos e desaparecidos, um grupo de paulistanos e cariocas resolveu aproveitar o Carnaval para distribuir panfletos e convocar a reedição da chamada “Marcha da Família com Deus e pela Liberdade”. 

Como se sabe, a primeira edição da tal marcha aconteceu poucos dias antes da deposição do presidente João Goulart, em 1964, data que mergulhou o Brasil numa crise institucional e política por vinte e um anos, trazendo a tortura e a censura para a vida cotidiana dos brasileiros. 

A nova edição da marcha está sendo convocada para o dia 22 de março em São Paulo e percorrerá o trecho entre a Praça da Sé e a Praça da República.

Como em 1964, a convocação tenta arrebanhar adeptos com motes contra causas como o “Comunismo”, o “Marxismo” e o que eles chamam de “Doutrinas vermelhas”. 

As marchas estão sendo marcadas para São Paulo, Rio e Curitiba. No Facebook há eventos abertos para tentar arrebanhar pessoas, mas a página de São Paulo tem apenas 81 confirmados, o que mostra, mais uma vez, que os brasileiros não querem o retorno da censura às liberdades individuais e não toleram mais regimes totalitários. 

Vale lembrar que no ano passado, durante o auge das manifestações de julho, o mesmo grupo tentou convocar uma passeata em favor da volta da Ditadura. Conseguiram reunir menos de cem pessoas no vão livre do MASP, em 10 de julho. 

E como era de se esperar entre os brasileiros em época de Carnaval, há várias comunidades no Facebook tirando sarro da convocação da minoria de saudosistas do tempo da censura prévia.

As piadas convocam para o mesmo dia várias marchas pelo Brasil intituladas "Marcha da Família Depravada", que, entre outras reivindicações, exige a legalização do "bundalelê" em território nacional.
  

Panfleto distribuído em São Paulo que convoca uma nova edição da "Marcha da Família", tradicional ato de apoio à Ditadura Militar



 


A Primeira Marcha da Família com Deus pela Liberdade 

Movimento surgido em março de 1964 e que consistiu numa série de manifestações, ou "marchas", organizadas principalmente por setores do clero e por entidades femininas em resposta ao comício realizado no Rio de Janeiro em 13 de março de 1964, durante o qual o presidente João Goulart anunciou seu programa de reformas de base. Congregou segmentos da classe média, temerosos do "perigo comunista" e favoráveis à deposição do presidente da República.
A primeira dessas manifestações ocorreu em São Paulo, a 19 de março, no dia de São José, padroeiro da família. O principal articulador da marcha foi o deputado Antônio Sílvio da Cunha Bueno, apoiado pelo governador Ademar de Barros, que se fez representar no trabalho de convocação por sua mulher, Leonor de Barros.
Preparada com o auxílio da Campanha da Mulher pela Democracia (Camde), da União Cívica Feminina, da Fraterna Amizade Urbana e Rural, entre outras entidades, a marcha paulista recebeu também o apoio da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. A marcha contou com a participação de cerca de trezentas mil pessoas, entre as quais Auro de Moura Andrade, presidente do Senado, e Carlos Lacerda, governador do estado da Guanabara. Durante o trajeto, que saiu da praça da República e terminou na praça da Sé com a celebração da missa "pela salvação da democracia". Na ocasião, foi distribuído o Manifesto ao povo do Brasil, convocando a população a reagir contra Goulart.
A iniciativa da Marcha da Família repetiu-se em outras capitais, mas já após a derrubada de Goulart pelos militares em 31 de março, o que as tornou conhecidas como "marchas da vitória". A marcha do Rio de Janeiro, articulada pela Camde, levou às ruas cerca de um milhão de pessoas no dia 2 de abril de 1964.
Sérgio Lamarão



Postado por: 
  Simone Araújo da Silva Salvino.
  Vanessa Barbosa da Silva.
Graduandos do Curso de Pedagogia (UFCG) e bolsistas do PET-Pedagogia.







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